projetar o museu dos emboabas, em terreno adjacente ao conjunto histórico tombado de caeté, significa uma intervenção patrimonial, ainda que não estejam aplicadas regulações patrimoniais restritas para o terreno e suas construções. percebe-se na grande cobertura cerâmica do galpão e na modesta construção da esquina fortes elementos de relação com a rua presidente getúlio vargas e com a travessa da fonte do vigário.

dessa forma, entendeu-se desde o início que a preexistência do terreno deveria ser considerada na presente proposta. essa postura guiou as decisões para a criação de um elemento arquitetônico atemporal de diálogo entre antigo e novo.

A partir da observação das proporções de testada, altimetria e aberturas das edificações vizinhas, foi proposta a inserção de um volume articulado, que se intersecciona de maneira gentil com a preexistência ao ser abraçado pela cobertura do galpão. O novo edifício aparece na fachada frontal em dois planos. Em primeiro plano, um volume de altura média, largura razoável e aberturas fartas se projeta no alinhamento predial,
anunciando para a rua a novidade.

Centralmente, abre-se uma porção do terreno para o adequado acesso universal ao edifício, considerando se tratar de um terreno em declividade e que diculta o acesso de pessoas com mobilidade reduzida. Essa área aberta evidencia a intersecção do antigo e do novo e convida o passante, direcionando-o ao acesso do museu, que está em segundo plano, no volume recuado e de maior altura.

o edifício se desenvolve articulando seus espaços de uma maneira interessante, alternando fechamentos e aberturas e jogando com a sensação de estar dentro e fora ao mesmo tempo. a experiência espacial do interior do centro cultural é completada pela relação que se propôs entre as duas arquiteturas (antiga e nova), intercaladas e alternadas em visibilidade e predominância nos ambientes.

Para a construção, optou-se por materiais simples e contemporâneos, de forma ao mesmo tempo dialogar e contrapor-se ao existente. Para a nova edificação, paredes em bloco de cimento e estrutura de concreto aparente. Para as intervenções junto a grande cobertura, paredes de vidro e elementos metálicos.

O conjunto se articula em planta com um subsolo que abriga as funções administrativas e o pequeno auditório. Já em andar térreo, se encontra a biblioteca, o café com acesso independente, o memorial da cidade e o grande hall para exposições temporárias. Nos andares superiores acontecem as salas de exposição permanente sobre a história da Guerra dos Emboabas e o mirante para a praça principal, ao …nal do percurso pelo museu.

Aqui, o novo se articula com o antigo, o respeita e o agrega. Juntos, criando um novo elemento na paisagem do centro histórico de Caeté.

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