Projeto de restauração dos imóveis da Avenida do Contorno, no Bairro Floresta – Belo Horizonte

Ano: 2018 – 2024

Equipe

Arquitetos: Anielle Freitas, Lucas Cosendey, Juliana Ferreira e Priscila Dummond
Estagiárias: Isla Nunes e Gabriela Castro
Restauradora: Tatiana Penna

Contratante

WRV Empreendimentos e Participações
Casarões no Floresta – Belo Horizonte/MG

No encontro entre a Avenida do Contorno e o Bairro Floresta, dois imóveis do início do século XX atravessaram mais de cem anos de transformações urbanas, mudanças de uso e disputas sobre o que deve — ou não — permanecer na paisagem da cidade.
As edificações nº 1285 e 1297, hoje integrantes do Conjunto Urbano do Bairro Floresta, são testemunhos da formação de Belo Horizonte e da arquitetura eclética que marcou as primeiras décadas da capital mineira.

O projeto desenvolvido pela Paspartú Arquitetura, Urbanismo e Patrimônio Cultural parte justamente desse entendimento: restaurar não é congelar o tempo, mas interpretar valores históricos, arquitetônicos e urbanos, conciliando preservação e uso contemporâneo.

Patrimônio cultural protegido e trajetória de reconhecimento

O Conjunto Urbano do Bairro Floresta foi tombado pelo município de Belo Horizonte em 1996. Naquele momento, os processos específicos de tombamento das edificações nº 1285 e 1297 foram iniciados, mas acabaram impugnados.
Somente em 2011 os dois imóveis passaram a figurar oficialmente na lista de bens protegidos do município, reconhecendo seu valor como remanescentes qualificados da ocupação original da cidade.

Construídas entre 1917 e 1922, as edificações apresentam características típicas da arquitetura eclética belorizontina: fachadas ornamentadas, platibandas, vãos verticais, pé-direito elevado, alvenaria de tijolos maciços e sistemas construtivos tradicionais, como rebocos à base de cal e pisos em madeira.

Do levantamento ao projeto executivo de restauração

O projeto de restauração foi desenvolvido a partir de uma metodologia consolidada de conhecimento, diagnóstico e intervenção, alinhada às diretrizes do IPHAN, do IEPHA-MG e dos órgãos municipais de preservação.

As etapas incluíram:

  • Levantamento cadastral completo, com uso de fotogrametria para documentação precisa das fachadas e volumetrias

  • Pesquisa histórica e análise documental

  • Laudo do estado de conservação e mapeamento de danos, identificando patologias, causas e riscos

  • Projeto básico e executivo de restauração, contemplando fachadas, elementos construtivos e materiais originais

  • Projeto de adequação de acessibilidade, compatibilizado com as preexistências protegidas

  • Projeto de restauração de pinturas parietais, respeitando técnicas e materiais tradicionais

  • Aprovação junto aos órgãos de preservação, com diálogo técnico contínuo

A proposta também considerou a adaptação dos imóveis para uso comercial, garantindo vitalidade urbana e sustentabilidade de longo prazo, sem comprometer os valores patrimoniais reconhecidos.

Restauração como estratégia urbana

Mais do que recuperar fachadas ou elementos arquitetônicos, este projeto reafirma o papel da restauração como estratégia de requalificação urbana. Ao reinserir edificações históricas no cotidiano da cidade, o patrimônio deixa de ser apenas memória e passa a atuar como infraestrutura cultural, econômica e simbólica.

No Bairro Floresta — território marcado por camadas sociais, imigração, trabalho e transformações — a preservação qualificada contribui para manter viva a relação entre arquitetura, paisagem e modos de vida.

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